11 lugares em SP onde a influência francesa também comemora os 463 anos da cidade [fr]

A maior cidade brasileira também sabe falar francês, bien sûr! Veja endereços da capital paulista onde a França deixou sua marca histórica.

1. Parque da Aclimação

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(Antiga entrada do Parque, até então chamado de Jardim / Foto: spinfoco)

No ano de 1892, o médico Carlos José Botelho adquiriu uma grande extensão de terras cobertas com vegetação na região central de São Paulo. O lugar era chamado de Sítio Tapanhoim, e ali, Botelho decidiu reproduzir o magnífico Jardin D’Acclimatation de Paris, fundado em 1860 por Napoelão III. No local, havia espaço para exposição de gado leiteiro importado, fato que atraiu o interesse de grandes pecuaristas brasileiros. Na grande área verde também foi criado o primeiro zoológico paulista, um centro de pesquisas em cancerologia, o primeiro silo (depósito metálico para armazenar cereais) da América Latina e o primeiro clube de equitação do país. Já no ano de 1916, toda a região do parque já era conhecida como Aclimação, vendo o jardim virar uma das principais atrações da cidade.

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(Lago do Parque da Aclimação / Foto: parquedaaclimacao @ Instagram)

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(Lago congelado no Jardin d’Acclimatation em Paris / Foto: marjorielan @ Instagram)

O Parque da Aclimação foi tombado em 1986 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico. Hoje, abriga um lago de cerca de 70 mil metros cúbicos de água, jardim japonês com espelho d’água, concha acústica, playgrounds, aparelhos de ginástica, pista de cooper e caminhada além de campos para a prática de esportes. Sua fauna contra com cerca de 85 espécies, com 65 aves como garças, quero-quero, chupim, joão-de-barro, martin-pescador e sabiá-laranjeira. A vegetação local tem áreas ajardinadas com espécies nativas com espécies exóticas e nativas, como o guanandi, jacarandá-mimoso, um extenso eucaliptal e árvores frutíferas como o jaboticabal.

Onde: Rua Muniz de Sousa, 1119 - Aclimação

2. Bairro do Sacomã

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(Foto: Mercado Livre)

Muito do desenvolvimento do importante bairro do Sacomã se deve à imigração europeia, principalmente a dos irmãos franceses Antoine, Henry e Ernest Saccoman. Fabricantes de telhas, eles chegaram a São Paulo em 1886, nos últimos anos do Império, e fixaram seus negócios e residências na região do Moinho Velho, local que receberia o sobrenome da família anos mais tarde.

O "Estabelecimento Cerâmico Saccoman Frères" é considerado como a primeira grande fábrica de produtos cerâmicos do Brasil e seu sucesso permitiu que partes inteiras da cidade fossem literalmente construídas pela empresa.

Na época, as telhas de qualidade eram todas importadas, e com a produção realizada em SP, muitos prédios históricos da capital, como a belíssima Estação da Luz, tiveram telhas dos irmãos utilizadas em suas obras! Segundo a Associação Brasileira de Cerâmica, o nome das telhas conhecidas por "francesas" ou "marselhesas" se deve à origem dos irmãos Saccoman.

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(Hoje, o bairro do Sacomã é um dos mais populosos de SP, com importante acesso ao ABC / Foto: vcheregati @ Flickr)

3. Palácio das Indústrias

A ideia para a construção desse empreendimento surgiu em 1910, com a expansão da malha urbana e com a urbanização do Vale do Anhangabaú. Com isso, foram levadas várias propostas para melhorias estruturais de São Paulo, seguindo as tendências da “Belle Époque”. Em 1911, convidado pelo prefeito Raimundo Duprat para examinar essas propostas, o arquiteto francês Bouvard sugere a implantação de dois grandes parques nos moldes dos parisienses “Bois de Boulogne” e “Bois de Vincennes”: um sobre o Vale do Anhangabaú e outro sobre a Várzea do Carmo.

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(Foto: eduarda_stardust_xyk @ Instagram)

A proposta de Bouvard já trazia o Palácio das Indústrias no local onde se encontra. O anteprojeto do edifício, com suas linhas arquitetônicas, fora concebido no ano anterior, pelo arquiteto italiano Domiziario Rossi. O projeto, finalmente, foi desenvolvido por outro arquiteto francês, Couchet, incluindo, além do prédio destinado a exposições, inúmeros equipamentos de esporte e lazer.

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(Foto: christian.mot @ Instagram)

Hoje, o edifício abriga o divertido Museu Catavento, que leva ciência e inovação para o público infanto-juvenil - e inclusive já abrigou exposições patrocinadas pela França.

Onde: Av Mercúrio, s/n - Pq Dom Pedro II

4. Freddy

Mais antigo francês de SP, o Freddy é símbolo da nossa cozinha clássica (ancienne cuisine) desde 1935. Ambiente, comida, freqüência, serviços, atendimento: tudo se mostra muito equilibrado. O restaurante, um ícone entre os estabelecimentos de primeira classe, consegue manter-se no topo há mais de 80 anos e se repagina para ganhar um ambiente mais sofisticado sem descaracterizar o clima apreciado por antigos e fiéis clientes.

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(Foto: restaurantefreddy @ Instagram)

O lugar já foi ponto de encontro de diversas personalidades brasileiras no âmbito político, empresarial e social, sempre com a comida em primeiro plano. Das entradas às sobremesas, o cardápio privilegia receitas antigas das mais remotas regiões francesas e consegue ser bom no que se propõe, incluindo ingredientes e apresentações comuns da culinária parisiense por excelência.

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(Prato típico de ostras à la française / Foto: gulamour_food @ Instagram)

Onde: R. Pedroso Alvarenga, 1170 - Itaim Bibi

5. Teatro Aliança Francesa

Além de ser a cidade com o maior número de unidades da Aliança Francesa no Brasil (com 7, no total), como centro cultural, a única escola do idioma francês reconhecida pelo governo da França é responsável por diversas atividades que envolvem música, debates e cinema. A AF realiza projetos como o Cinéclub, junto à Reserva Cultural, e toda a programação do Teatro Aliança Francesa, localizado no centro da capital.

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Icônico, o teatro da escola, desde sua abertura em 1964, levantou uma importante bandeira de resistência ante a Ditadura Militar e também comanda até hoje parte das atrações culturais no centro da cidade. Em 52 anos de história, o famoso auditório já recebeu grandes nomes da dramaturgia francesa, como Eugène Ionesco, e artistas brasileiros ilustres como Marília Pêra e Gianfrancesco Guarnieri, além de ter sido palco da residência artística do Grupo Tapa.

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Onde: Rua General Jardim, 182 - Vila Buarque

6. Jardins do Museu do Ipiranga

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(O Museu está fechado, mas os jardins podem ser visitados / Foto: rafa_cunha27 @ Instagram)

Os primeiros jardins em torno do edifício, formados entre 1908 e 1909, foram projetados pelo paisagista belga Arsenius Puttemans e reproduzem concepções inspiradas nos jardins barrocos franceses do Palácio de Versailles. Em 1922, esses jardins foram ampliados em 1.500 m2, passando a atingir o início da Av. D.Pedro I e, na década de 1930, sofreram novas intervenções, com o rebaixamento da área em frente à fachada principal.

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(Os clássicos jardins que inspiraram o projeto / viiiolette_ @ Instagram)

Onde: Parque da Independência, Ipiranga

7. Lycée Pasteur / Liceu Pasteur

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(Vista aérea do colégio na década de 1950 / Foto: Liceu Pasteur

Um dos mais tradicionais colégios paulistanos, o Liceu Pasteur da Rua Mairinque foi idealizado a partir de uma missão cultural da França ao Brasil, no ano de 1908 - que iniciou o processo para a criação do Liceu Franco-Brasileiro de São Paulo, interrompido pela I Guerra Mundial. Os trabalhos foram retomados após o conflito, culminando com o lançamento da pedra fundamental em 1921 e o início de funcionamento alguns anos mais tarde. Em 1923, a escola foi fundada - em um terreno que pertenceu a Ramos de Azevedo, conhecido arquiteto que também participou das obras.

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(Jardim em homenagem ao arquiteto Ramos de Azevedo / Foto: Liceu Pasteur

Entre os anos 1950 e 1960, São Paulo era uma das cidades que cresciam mais rapidamente no mundo, e muitas empresas francesas se instalaram na capital paulista. Quando ficou claro que um grande número de famílias francesas permaneceria no Brasil, chegou-se à conclusão de que era preciso criar uma nova estrutura que atendesse melhor às suas necessidades, fazendo com que o Liceu desenvolvesse um pioneiro projeto de ensino 100% bilíngue no Brasil. A implementação desse projeto permitiu a criação de novos cursos estabelecidos em 1964, na antiga Casa Santos Dumont, na Rua Vergueiro, ao mesmo tempo em que abriu um caminho que seria seguido por centenas de escolas brasileiras.

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(Unidade Vergueiro / Foto: Liceu Pasteur

Pelas unidades, estudaram grandes personalidades culturais e políticas de São Paulo, como os integrantes da banda Metrô, a cantora Rita Lee (que inclusive botou fogo no Teatro do Liceu), o ex-prefeito da cidade e atual ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação Gilberto Kassab e o nosso chefe, o Cônsul Geral Brieuc Pont!

Onde: Unidade Mairinque (R. Mairinque, 256 - Vl. Mariana ) e Unidade Vergueiro (Rua Vergueiro, 3799 - Vl. Mariana)

8. Consulado da França em São Paulo

O Consulado Geral da França em São Paulo abriu seu primeiro registro no ano de 1895, quando a cidade estava conhecendo seu fabuloso crescimento econômico. Há 122 anos, o Consulado acompanha a vida dos cidadãos franceses expatriados, garantindo também sua proteção consular. Entre documentos, inscrições consulares, assistência social, solicitações de visto e outros, o Consulado oferece um leque enorme de serviços públicos aos franceses e também aos brasileiros.

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O "Etat civil", por exemplo, é o cartório dos franceses na capital e registra nascimentos, casamentos, aquisições, e transmissões de nacionalidade. Todos os grandes momentos da vida dos "franco-paulistanos" são registrados pelo "Officier de l’Etat civil", o oficial de registro.

Inicialmente estabelecido na Rua Líbero Badaró, no centro da cidade, o Consulado da França está na Av. Paulista desde 1970, quando ocupava um escritório no Conjunto Nacional. Desde 1996, estamos no conhecido Cetenco Plaza - completando 47 felizes anos no pulsante coração de SP!

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Onde: Av. Paulista, 1842 - Cerqueira César

9. Livraria Francesa

No ano de 1937, acompanhado de sua família, Paul Monteil, engenheiro, chega ao Brasil para assumir o Setor Têxtil da Rhodia. Após o término da II Guerra Mundial, Paul começa a idealizar seu sonho de tornar-se livreiro e editor. Em 1946, ele deixa a Rhodia e inicia os preparativos para abrir uma livraria e uma editora no Brasil. Assim, ele e sua família partem para a França em fevereiro de 1947 para que Paul faça os primeiros contatos com os editores.

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(Foto: jonson_dias @ Instagram)

Em julho deste mesmo ano, sua esposa Juliette e Claudie, sua filha mais nova, retornam ao Brasil com a primeira caixa de livros contendo "Le Petit Prince" e a revista "Paris Match" - vendida de porta-a-porta por Juliette. Paul regressa ao Brasil e funda a Livraria Francesa em 25 de julho de 1947. Após alguns meses, a Livraria se instalou na Rua Barão de Itapetininga - onde até hoje funciona.

Prestes a completar 70 anos, a Livraria Francesa sempre atuou como difusora da cultura, da língua e do pensamento francês no Brasil. Com um acervo de mais de 110 mil títulos cadastrados, oferece o melhor da produção editorial francesa e francófona em São Paulo e para todo o Brasil.

Onde: Rua Barão de Itapetininga, 275 - República

10. Arca do Saber

Arca do Saber foi criada em 2001 no coração da favela de Vila Prudente por uma religiosa francesa, a irmã Bernadette. No início escolinha, a Arca é hoje um Centro de referência para crianças e adolescentes.

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(Irmã Bernadette / Foto: Arca do Saber)

Apoiada pelo Consulado Geral da França em SP e por diversas empresas francesas instaladas na capital, a associação acolhe diariamente 120 crianças de 6 a 15 anos e oferece atividades educativas, esportivas e culturais, inclusive com o ensino de francês - capacitando jovens para o mercado de trabalho globalizado da gigante cidade!

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(O Cônsul Geral em SP, Brieuc Pont e seu adjunto, Philippe Collin, em visita à Arca com a criançada!)

A Arca do Saber tem ainda uma missão social no acompanhamento das famílias da comunidade, transformando a realidade de um dos locais mais carentes de São Paulo! Conheça mais sobre o projeto e saiba como ajudar!

Onde: Rua da Igreja 1559 - Vila Prudente

11. Largo do Arouche

Famoso por seu Mercado de Flores, tradição do local há mais de 58 anos, o Largo é conhecido também como “Praça das Flores”. O local foi idealizado de modo a representar os tradicionais mercados de flores franceses, presentes principalmente em Paris nos anos 1930, quando foi oficializada a praça.

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(O Mercado das Flores no Arouche / Foto: elaine_cta @ Instagram)

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(O Mercado das Flores em Paris / Foto: erin.mccrady @ Instagram)

O local também abriga o La Casserole, o primeiro bistrô da capital paulista, fundado em 1954 por Roger e Fortunée Henry, recriando ainda mais a atmosfera parisiense no centro de SP. Hoje, já é comandado pela terceira geração da família francesa e conta com festivais que mesclam arte e gastronomia.

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(Foto: La Casserole)

Onde: Largo do Arouche - República

publicado em 25/01/2017

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